Você sente uma palpitação, comenta com alguém, e vem na hora o conselho de sempre: corta o café. A cafeína carrega há décadas a fama de vilã do ritmo cardíaco. Em 2025, um estudo cuidadoso resolveu testar essa ideia de frente, e o resultado surpreendeu até os cardiologistas.
O que o estudo fez
Pesquisadores acompanharam pessoas com fibrilação atrial, o tipo mais comum de arritmia, depois que o ritmo do coração foi normalizado. Metade continuou tomando cerca de uma xícara de café por dia. A outra metade cortou toda a cafeína. Seis meses depois, quem manteve o café teve menos recorrência da arritmia do que quem cortou.
O grupo que manteve o cafezinho teve menos crises de arritmia do que o grupo que cortou a cafeína.
Como assim, o café ajudou?
A explicação provável não é que a cafeína seja um remédio. É que cortar o café costuma vir junto de outras coisas: dor de cabeça, humor pior, noite mal dormida, mais vontade de comer besteira. Esse desconforto todo pode mexer com o coração mais do que a xícara em si. Tirar um hábito prazeroso e inofensivo, às vezes, cobra um preço escondido.
Vale para todo mundo?
Aqui entra a letra miúda, e ela importa. O estudo testou consumo moderado, algo como uma xícara de café coado por dia, em pessoas com a arritmia já controlada. Isso é bem diferente de virar energético, tomar cinco cafés dobrados ou misturar cafeína com pré-treino. Excesso de cafeína continua podendo acelerar e desregular o coração. E cada pessoa reage de um jeito: tem quem realmente sinta o coração disparar com pouca coisa.
Se você tem arritmia e cortou o café por medo, essa é uma boa conversa para a próxima consulta. Para muita gente, o cafezinho da manhã pode voltar sem culpa. Para outras, faz sentido maneirar. Quem decide isso, com você, é o seu cardiologista, olhando o seu caso.
