"Morri de tristeza." A frase é figura de linguagem, mas guarda um pedaço de verdade médica. Existe uma condição real, com nome complicado, em que uma emoção muito forte ou um estresse físico intenso faz o coração falhar de repente. Os médicos a chamam de síndrome de takotsubo. O apelido é mais bonito: síndrome do coração partido.

O que acontece no coração

Diante de um susto enorme, uma perda, uma discussão violenta ou até uma cirurgia, o corpo despeja uma onda de hormônios do estresse. Em algumas pessoas, essa enxurrada atordoa o músculo do coração, que muda de forma e para de bombear direito por um tempo. Os sintomas imitam um infarto: dor no peito, falta de ar, a sensação de que algo muito errado está acontecendo.

O que a diferencia do infarto

Aqui está o detalhe curioso. No infarto clássico, uma artéria entupida corta o sangue de uma parte do coração. No takotsubo, as artérias costumam estar abertas. O coração para de funcionar bem sem estar entupido, atordoado pelo estresse. Por isso ele engana: chega ao pronto-socorro parecendo infarto e só se revela diferente na investigação.

No coração partido, as artérias estão abertas. Quem derruba o coração é a tempestade de hormônios do estresse.

Tem cura? É perigoso?

Na maioria dos casos, o coração se recupera em semanas, e essa é a boa notícia. Mas takotsubo não é sinônimo de "coração fraquinho de gente sensível". É uma condição séria, que na fase aguda pode ter complicações e que aparece mais em mulheres, muitas vezes após a menopausa.

A lição que fica é bonita e prática ao mesmo tempo: o coração e as emoções conversam de verdade, não só na poesia. Cuidar da saúde mental, do luto e do estresse crônico faz parte de cuidar do coração. Se você passou por um episódio assim, ou por um aperto no peito em meio a uma fase difícil, leve isso ao cardiologista. Merece um olhar.